Não sei se muita gente faz isso no trampo, mas eu faço: quando fico com sono, eu canto! Ajuda a despertar um pouco!
Bem, hoje foi um dia daqueles! E uma que cantei foi essa:(pra deixar tocando enquanto lê! - *obs. : conhecia na voz da Marisa Monte, mas não achei no youtube! Então vai com o Arnaldo, que foi quem compôs!)
Enquanto cantava, pensava na letra... Ela diz: volte para o seu lar! Uma vez ouvi isso de uma chefe louca, num trampo anterior, e fiquei emputecida! Como que alguém me manda ir embora?? E quem aqui nessa terra nunca presenciou ou ouviu algo parecido? Hostilidade, desconfiança, má-vontade...
Voltemos à música! Provavelmente o Arnaldo não pensava em brazucas perdidos em terras estrangeiras, mas nos brazucas-raíz que estavam lá antes dos colonizadores darem o ar da graça, impondo novos valores, uma nova maneira de ver e pensar o mundo - que se auto-julgava 'melhor', pois que era 'civilizada'...
E que cargas d'água isso tem a ver conosco? Respondo com outra pergunta: quantas vezes você já disse (eu mesma já falei algumas dessas coisas...) ou já ouviu alguém dizer que os japoneses são frios, só pensam no trabalho, não se divertem, que não sabem viver?? Não que estejamos querendo 'colonizar', 'civilizar' o povo japonês... Mas ficamos julgando eles - o seu jeito de lidar com a vida, o seu modo de vestir, sua comida, suas crenças - dessa nossa perspectiva brasileira... E aí, entramos muitas vezes em conflito com as normas, as regras dessa gente, desse lugar, que já estava aqui, assim, muito antes da maioria de nós pensarmos em pôr os pés nele...
Bem, hoje foi um dia daqueles! E uma que cantei foi essa:(pra deixar tocando enquanto lê! - *obs. : conhecia na voz da Marisa Monte, mas não achei no youtube! Então vai com o Arnaldo, que foi quem compôs!)
Enquanto cantava, pensava na letra... Ela diz: volte para o seu lar! Uma vez ouvi isso de uma chefe louca, num trampo anterior, e fiquei emputecida! Como que alguém me manda ir embora?? E quem aqui nessa terra nunca presenciou ou ouviu algo parecido? Hostilidade, desconfiança, má-vontade...
Voltemos à música! Provavelmente o Arnaldo não pensava em brazucas perdidos em terras estrangeiras, mas nos brazucas-raíz que estavam lá antes dos colonizadores darem o ar da graça, impondo novos valores, uma nova maneira de ver e pensar o mundo - que se auto-julgava 'melhor', pois que era 'civilizada'...
E que cargas d'água isso tem a ver conosco? Respondo com outra pergunta: quantas vezes você já disse (eu mesma já falei algumas dessas coisas...) ou já ouviu alguém dizer que os japoneses são frios, só pensam no trabalho, não se divertem, que não sabem viver?? Não que estejamos querendo 'colonizar', 'civilizar' o povo japonês... Mas ficamos julgando eles - o seu jeito de lidar com a vida, o seu modo de vestir, sua comida, suas crenças - dessa nossa perspectiva brasileira... E aí, entramos muitas vezes em conflito com as normas, as regras dessa gente, desse lugar, que já estava aqui, assim, muito antes da maioria de nós pensarmos em pôr os pés nele...
Não! Não quero com isso dizer que a minha chefe louca tinha razão em nos mandar embora... Quero é dizer que precisamos pensar a convivência, a sério! Afinal, estamos aqui! E muitos - embora ainda tenham se dado conta - vão ficar!
Nossa cultura não é melhor que a dos japoneses, nossa forma de enxergar as coisas não é mais clara nem mais certa que a deles... E que fique claro: o contrário também não é verdade! São apenas culturas diferentes...
Então! Quando é que vamos parar pra ouvir o que eles pensam, como pensam e porque agem da forma como agem? Quando é que eles vão parar para nos escutar? Quando é que vamos poder dizer (mutuamente e de verdade!): 'prazer em conhecer!'... hein, hein?
letra da música!
VOLTE PARA O SEU LAR
(Arnaldo Antunes)
Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação.
Nos dias que tem comida, comemos comida com a mão.
E quando a polícia, a doença, a distância ou alguma discussão
Nos separam de um irmão,
Sentimos que nunca acaba de caber mais dor no coração.
Mas não choramos à toa,
Não choramos à toa
Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização.
Falamos a sua língua mas não entendemos seu sermão.
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa.
Não sorrimos à toa.
Aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação.
Não temos perspectiva, mas o vento nos dá a direção.
A vida que vai à deriva é a nossa condução.
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa.
Volte para o seu lar,
Volte para lá.
Nossa cultura não é melhor que a dos japoneses, nossa forma de enxergar as coisas não é mais clara nem mais certa que a deles... E que fique claro: o contrário também não é verdade! São apenas culturas diferentes...
Então! Quando é que vamos parar pra ouvir o que eles pensam, como pensam e porque agem da forma como agem? Quando é que eles vão parar para nos escutar? Quando é que vamos poder dizer (mutuamente e de verdade!): 'prazer em conhecer!'... hein, hein?
letra da música!
VOLTE PARA O SEU LAR
(Arnaldo Antunes)
Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação.
Nos dias que tem comida, comemos comida com a mão.
E quando a polícia, a doença, a distância ou alguma discussão
Nos separam de um irmão,
Sentimos que nunca acaba de caber mais dor no coração.
Mas não choramos à toa,
Não choramos à toa
Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização.
Falamos a sua língua mas não entendemos seu sermão.
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa.
Não sorrimos à toa.
Aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação.
Não temos perspectiva, mas o vento nos dá a direção.
A vida que vai à deriva é a nossa condução.
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa.
Volte para o seu lar,
Volte para lá.