sábado, 22 de novembro de 2008

A crise...

... da 'porra-da-setinha-dourada'!



Um vídeo que é um achado pra mim!
Nem que seja pra discordar, assista!

Tem muitas boas idéias aí, idéias que merecem ser desenvolvidas, pensadas... e nós, trabalhando e vivendo aqui no Japão, estamos até o pescoço no meio disso, seja como formiguinhas operárias, seja como consumidores...

Mais informações em http://sununga.com.br/HDC/

quinta-feira, 13 de novembro de 2008

Você tem crise de que?

Eu comecei bem cedo: lá pelos 2 anos com as crises de asma e bronquite, que me acompanharam durante toda a infância e adolescência; nesta última, vieram as crises existenciais... depois tive também as de identidade, que na verdade ainda não resolvi e vez por outra me atormentam... Tive a crise dos 30, que incrivelmente (acho!) resolvi antes de chegar lá (mas é melhor não se vangloriar demais, porque vai que me pega de novo, de surpresa, e mais forte que a inicial...)! Às vezes tenho alguma pequena crise quando leio um livro bem interessante, e as idéias nele contidas não casam com meus valores, minhas crenças, e tenho de reorganizar as idéias...

Ultimamente... bem, ultimamente só se fala em crise! Até já virou piada: 'a máquina hoje não quer funcionar direito... ah! deve ser por causa da crise...' Mas mesmo quem faz piada com o assunto se preocupa! Tenho alguns anos de Japão, mas mesmo os que estão há mais tempo garantem que nunca viram nada igual... Li uma explicação, bem didática, e outra mais formal (sugerida lá), uma ou outra coisa por aí... mas não consigo entender tão bem como gostaria esses tais subprimes, e todo o desenrolar dos acontecimentos que culminaram nessa situação que vemos hoje, acontecendo bem na nossa cara...

Fico triste quando ouço algumas histórias por aí... Gente que financiou a casa em terras nipônicas, já tá pagando há 10 anos e foi demitido, ou de pessoas que estão pagando faculdade das filhas e não tem pra onde correr... Quem pode, de alguma forma, está indo embora, e caramba, como tem gente indo! Muitos conhecidos meus que estão cumprindo aviso prévio queriam comprar passagem pro Brasil, mas parece-me que as agências só têm para embarque de janeiro em diante... Eu mesma gostaria de estar indo agora, mas...

Crise, crise, crise... Ainda estou empregada, mas não sei bem até quando... Sim! Isso tem me preocupado um tanto... Mas eu sempre digo que no fundo, no fundo, estou é comemorando a crise!
Hein? Como assim?

Explico! Assim como como acontece nas minhas pequenas crises de valores, quando me deparo com novas formas de ver e pensar as coisas, essa crise vem trazendo, junto com a bagunça toda que provoca, discussão e reflexão: ela nos obriga de alguma forma, a pensar sobre o que estamos fazendo aqui, o que estamos fazendo de nossas vidas!! E nesse sentido, toda crise tem seu lado positivo, porque nos tira da rotina, do estabelecido, e nos faz rever as coisas, de outra maneira, procurar novas saídas, novas perspectivas! Não é à toa que se diz que há males que vêm para o bem!

Na verdade, não sei bem se a comunidade brasileira pensa sobre isso, sobre a vida que leva aqui e os rumos que os acontecimentos vão tomando... Mas o fato é que tenho EU tenho pensado... muito...

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Porque eu adoro...

...quando os japoneses me surpreendem!!





Sei que a questão é bem polêmica e merece e deve ser bastante discutida! Mas me surpreendeu justamente por isso: tem gente discutindo!! Pensando!! (Bem aqui, na terra do 'vamos-deixar-como-está-pra-não-tumultuar')
E cá pra nós, os argumentos são bons! (leia as informações do vídeo, visite http://www.cannabist.org/index.html )

sexta-feira, 10 de outubro de 2008

Aprendizado...

Ontem, no trabalho, um amigo me disse que estava com tanto sono que estava dormindo em pé, literalmente!
Então pensei: quem disse que a gente não aprende nada nessa vida dekassegui?

aprendi,
além de dormir de pé:
dormir de dia,
dormir no trem,
dormir no ponto...


(perdoem o pessimismo excessivo... faz parte do meu momento aqui nessa terra, ou melhor, na vida como a levamos aqui...)

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Dúvida??


São DOIS!! Na dúvida: ambos!!

sábado, 28 de junho de 2008

Feliz aniversário, ou Quando foi que me perdi?

Num dado momento da minha vida, me vi sem todas as coisas que me prediam no Brasil: sem a faculdade, sem trampo e sem namorado... Não pensei duas vezes e vim para o lado de cá. Mas precisava dar explicações e estas foram as mais convenientes: vou juntar uma grana pra comprar um apê, e sair do aluguel. Prazo estipulado: o tempo do visto, ou seja, 3 anos!

Isso aconteceu há exatos 5 anos! E a grana do apê? Nada...

Sei que muitos aqui tem histórias parecidas, mas isso não alivia em nada a barra que é se dar conta disso... E venho me dando conta nos aniversários: um ano, dois, três... e de tempos pra cá, todo dia é dia de aniversário!

E embora dolorosos, esses aniversários têm-me feito pensar sobre o que foi que aconteceu, afinal... Onde foi que eu me perdi? Em que ponto me enrolei dessa forma?

(respondo essa nas próximas postagens... por hora: feliz aniversário...)

sábado, 7 de junho de 2008

Compartilhando um 'presente'!

Tava eu lá, no meu último kyukei, sem esperar mais nada do dia, a não ser seu término...
Biscoitinho água e sal, leitinho de soja e uma conversa vinda do outro canto da mesa... Um senhor, brasileiro, conversava com um jovem, cara de japa, mas como falava espanhol, rotulei-o como peruano. O jovem sai da mesa e o senhor puxa conversa comigo:
- Viu esse rapaz aí? Viu como ele fala espanhol sem sotaque nenhum? E ele é japonês!
- Sério? Eu jurava que fosse peruano, ou argentino...
- Pois é! E além de espanhol, fala francês, também quase sem sotaque! Ele diz que gosta de aprender novos idiomas e conhecer outras culturas! Parece que esteve um tempo na Europa, e agora está trabalhando aqui pra 'pagar' a mãe que bancou as despesas!
- Puxa vida! Estou admirada! É muito bom ver japoneses com a cabeça aberta para o mundo! Eles me parecem viver, literalmente, numa ilha, isolados do resto do mundo, sem conhecer ou entender, ou mesmo sem se interessar pelo que se passa lá fora...
- Sabe que isso me lembra uma conversa que tive uma vez com um amigo japonês? A gente falava sobre essa coisa toda do preconceito que os japoneses têm em relação aos estrangeiros e ele me disse bem assim: "não é que a gente tenha preconceito em relação a vocês, estrangeiros. A gente não sabe quem vocês são, de onde vêm, o que faziam lá, que idioma falam, o que gostam de fazer, como vivem... e falando francamente, para a maioria dos japoneses, principalmente para os que vivem no inaká, NÃO INTERESSA saber! Então, não pense que é discriminação; é que não faz diferença saber, conhecer... os japoneses só não têm curiosidade em conhecê-los."

A conversa seguiu... Por muitos rumos e com muito mais detalhes do que aqui escrevo! Falamos sobre como nós brasileiros somos mais 'acostumados' com a diversidade, pois convivemos lá, com gente de tudo quanto é jeito, de tudo quanto é lugar! Não que tenhamos atingido o ideal, mas lidamos melhor com isso! Pensa só: aqui praticamente só tem japonês! Falamos como lá no Brasil, ficamos curiosos ao ouvir alguém falando algum idioma nunca ouvido ('que raio de língua é essa??'), sobre como tentamos, com todos os artifícios possíveis, nos comunicar com um estrangeiro, para ajudar no que for possível...

Final da história: estourei meu tempo de kyukei ( 'Aimeudeus'! Tomara que o chefe não perceba!)!!

Mas que nada! Nem me importei com isso! Saí da salinha com a sensação de ter recebido um presente: porque eu não esperava, naquela hora, naquele ambiente, ter uma boa conversa com um quase desconhecido, sobre algumas das 'idéias enroladas' da minha cabeça!

E não sei dizer se isso que o amigo japonês falou pra esse senhor é o que acontece de fato, ou se é algo só dele mas, de qualquer forma, fiquei intrigada porque nunca tinha pensado dessa maneira... E me deu uma vontade de me mudar pra Tókio! Ver se lá tem gente mais interessada, e portanto, mais interessante do que aqui entre os tambôs e o feliz coaxar das pererecas...

Idéiais, idéias... bem das enroladas...

segunda-feira, 26 de maio de 2008

Desabafo

"Depois de vários anos penando nessa terra, enfim: comprei minha casa no Brasil!
Mas de que vale ter uma casa, se minha mulher já não quer morar nela comigo?"


(ouvi isso de um amigo, algumas semanas atrás e dá o que pensar, não? Por hora fica aqui, o desabafo dele e o desafio de pensar: valores e prioridade!)

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Tardias explicações...

Cá estou eu, 4 meses depois da 'invenção' desse blog, e um mês depois da minha (primeira e) última postagem querendo explicar por que ele nasceu... (afe!)


Mais ou menos assim!

Muitos anos atrás, quando vim pra esses lados de cá do planeta, trazia na mala, junto com minha trouxinha, uma grande preocupação: como fazer para não 'emburrecer'! Explico: mais antes que esses anos atrás, vim fazer arubaito durante as férias escolares, por apenas 3 meses... e esse pouco tempo que fiquei nessa vida de fábrica foi suficiente para perceber que essa vida aqui 'emburrece', sim... É muito tempo de trabalho - num trabalho que não exige muito mais que automação de movimentos -, é muito tempo sem ler, sem escrever, sem pôr a caixola pra funcionar... E depois, quando chegava em casa, não tinha pique pra fazer essas coisas, e percebia como coisas simples como escrever uma carta, estavam sutilmente mais trabalhosas...


Segundo! Sempre achei que escrever é um ótimo exercício! Exige, primeiro, que se tenha um assunto sobre o qual escrever, que você pense sobre ele, leia, discuta... Depois, que você organize o pensamento e o ponha no papel de uma forma clara, para que possa ser entendido por quem lê! E isso tudo é, acredito, um ótimo exercício 'anti-emburrecimento'!


Terceiro! No último ano, por muitas e diferentes razões, tive muitas conversas e reflexões sobre a vida aqui no Nihon, sobre como nós a enxergamos e sentimos: o universo dekassegui, e paralelamente, o Japão, os japoneses, sua cultura, e sobre como esses mundos se relacionam (ou sobre o não-relacionamento entre eles...)!


Junta todos esses ingredientes e bate no liquidificador: eis-me aqui, tentando pensar e registrar as reflexões, numa tentativa de conversar com outras pessoas que também pensem sobre isso(ou mesmo as que nunca tivessem pensado...).




PS.: Outro motivo! (embora eu não concorde com a observação sobre o orkut...)
PS.2: A frequência das postagens ainda é um desafio, mas vâmo aê!


Então, bora blogar!

quinta-feira, 10 de abril de 2008

para não chorar, sorrir ou seguir... à toa!

Não sei se muita gente faz isso no trampo, mas eu faço: quando fico com sono, eu canto! Ajuda a despertar um pouco!

Bem, hoje foi um dia daqueles! E uma que cantei foi essa:(pra deixar tocando enquanto lê! - *obs. : conhecia na voz da Marisa Monte, mas não achei no youtube! Então vai com o Arnaldo, que foi quem compôs!)


Enquanto cantava, pensava na letra... Ela diz: volte para o seu lar! Uma vez ouvi isso de uma chefe louca, num trampo anterior, e fiquei emputecida! Como que alguém me manda ir embora?? E quem aqui nessa terra nunca presenciou ou ouviu algo parecido? Hostilidade, desconfiança, má-vontade...



Voltemos à música! Provavelmente o Arnaldo não pensava em brazucas perdidos em terras estrangeiras, mas nos brazucas-raíz que estavam lá antes dos colonizadores darem o ar da graça, impondo novos valores, uma nova maneira de ver e pensar o mundo - que se auto-julgava 'melhor', pois que era 'civilizada'...

E que cargas d'água isso tem a ver conosco? Respondo com outra pergunta: quantas vezes você já disse (eu mesma já falei algumas dessas coisas...) ou já ouviu alguém dizer que os japoneses são frios, só pensam no trabalho, não se divertem, que não sabem viver?? Não que estejamos querendo 'colonizar', 'civilizar' o povo japonês... Mas ficamos julgando eles - o seu jeito de lidar com a vida, o seu modo de vestir, sua comida, suas crenças - dessa nossa perspectiva brasileira... E aí, entramos muitas vezes em conflito com as normas, as regras dessa gente, desse lugar, que já estava aqui, assim, muito antes da maioria de nós pensarmos em pôr os pés nele...
Não! Não quero com isso dizer que a minha chefe louca tinha razão em nos mandar embora... Quero é dizer que precisamos pensar a convivência, a sério! Afinal, estamos aqui! E muitos - embora ainda tenham se dado conta - vão ficar!

Nossa cultura não é melhor que a dos japoneses, nossa forma de enxergar as coisas não é mais clara nem mais certa que a deles... E que fique claro: o contrário também não é verdade! São apenas culturas diferentes...

Então! Quando é que vamos parar pra ouvir o que eles pensam, como pensam e porque agem da forma como agem? Quando é que eles vão parar para nos escutar? Quando é que vamos poder dizer (mutuamente e de verdade!): 'prazer em conhecer!'... hein, hein?



letra da música!

VOLTE PARA O SEU LAR
(Arnaldo Antunes)

Aqui nessa casa ninguém quer a sua boa educação.
Nos dias que tem comida, comemos comida com a mão.
E quando a polícia, a doença, a distância ou alguma discussão
Nos separam de um irmão,
Sentimos que nunca acaba de caber mais dor no coração.
Mas não choramos à toa,
Não choramos à toa

Aqui nessa tribo ninguém quer a sua catequização.
Falamos a sua língua mas não entendemos seu sermão.
Nós rimos alto, bebemos e falamos palavrão
Mas não sorrimos à toa.
Não sorrimos à toa.

Aqui nesse barco ninguém quer a sua orientação.
Não temos perspectiva, mas o vento nos dá a direção.
A vida que vai à deriva é a nossa condução.
Mas não seguimos à toa
Não seguimos à toa.

Volte para o seu lar,
Volte para lá.

segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

E a história começa assim:

Era uma vez uma japinha! Um dia ela decidiu ir pro Japão!

E eis que descobriu, um tanto confusa, que não era japonesa...


(japa no brasil, no japão: gaijin!)